14 de novembro - Dia Mundial do Diabetes: e o papel da escola nesse cuidado?
Crianças e adolescentes com diabetes podem, e devem, viver a escola como qualquer outra. Com pequenas adaptações e empatia, a escola se torna um espaço de aprendizado e segurança.
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Letícia Chagas
11/14/20252 min read
O Dia Mundial do Diabetes é um convite à reflexão e, neste ano, a discussão sobre bem-estar precisa atravessar os muros da escola.
Afinal, é ali que crianças e adolescentes passam grande parte do tempo, convivendo, aprendendo e desenvolvendo autonomia.
E quando há um diagnóstico de diabetes, o papel da escola vai muito além da aprendizagem: ela se torna parte fundamental da rede de cuidado.
Por que a escola importa tanto?
O ambiente escolar representa rotina, alimentação, atividade física, desafios emocionais e sociais.
Tudo isso influencia diretamente o controle glicêmico, Especialmente em crianças e adolescentes, que estão em uma fase de crescimento acelerado, apresentam maior sensibilidade á insulina, imprevisibilidade tanto em relação à alimentação quanto a prática de atividade física.
Quando uma escola não está preparada, o que deveria ser um espaço de crescimento pode se transformar em um ambiente de ansiedade, tanto para a criança quanto para a família.
Mas quando há diálogo, empatia e preparo, a escola se torna uma aliada poderosa na saúde e no bem-estar.
Nem responsabilidade exclusiva da família, nem dever apenas da escola
O cuidado com o diabetes infantil é, sobretudo, uma parceria.
Os pais conhecem a rotina da criança; os educadores conhecem o ambiente onde ela vive grande parte do dia.
Quando esses saberes se encontram, o resultado é segurança, autonomia e confiança.
Essa aliança não exige estruturas complexas, planos elaborados ou médicos na escola, ela começa com informação e disponibilidade.
Professores que sabem reconhecer sinais precoces, coordenadores que abrem espaço para diálogo e colegas que compreendem que o diabetes não define quem a criança é.
Pequenas ações que fazem grande diferença
Há medidas simples e possíveis que transformam o cotidiano:
Permitir medições e alimentação fora dos horários fixos, sem repreensão;
Deixar sucos ou sachês de glicose disponíveis, em caso de hipoglicemia;
Combinar com a família o que fazer se a criança apresentar sinais de mal-estar;
Evitar estigmas: a criança não é “diferente”, ela apenas tem necessidades específicas;
Incluir o tema nas rodas de conversa e projetos escolares, para educar e promover empatia.
Essas pequenas atitudes mostram cuidado, e, o cuidado, quando partilhado, ensina mais do que qualquer conteúdo didático.
Bem-estar também se aprende
O bem-estar da criança com diabetes na escola começa quando ela se sente pertencente, confiante e acolhida.
Isso é saúde mental, é aprendizado emocional e, acima de tudo, é educação em saúde, um dos pilares mais importantes da prevenção em longo prazo.
Escolas preparadas não precisam ser perfeitas.
Precisam ser humanas, informadas e abertas a aprender.
Neste Dia Mundial do Diabetes, olhemos com mais atenção para as salas de aula.
Para que cada escola seja um ambiente de inclusão e segurança.
Para que pais e professores formem uma rede de apoio, e cada criança com diabetes viva a infância que merece: leve, curiosa, livre.
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📚 Referências científicas:
International Diabetes Federation (IDF) — World Diabetes Day 2025: Diabetes & Wellbeing.
Sociedade Brasileira de Diabetes (2023–2024) — Diretrizes para Diabetes Mellitus tipo 1 na infância e adolescência.
ISPAD Clinical Practice Guidelines (2022) — Management of Diabetes in School and Day Care Settings.
American Diabetes Association (2024) — Children and Adolescents: Standards of Care in Diabetes.
